Nossos autores

Conheça aqui, os autores destas memórias.

Cidade para realmente viver
Bruna Passos

Bruna Passos

Nasci em Porto Alegre-RS, moro no litoral norte catarinense há 3 anos e desde o início deste ano vivo em Itajaí. Além de morar na cidade peixeira, estou cursando Jornalismo na Univali, fazendo curso de Inglês no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial -SENAC e trabalhando como assessora de imprensa na Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí – AMFRI, com sede próxima a rodoviária de Itajaí.

A meu ver o município dispõe de muitas oportunidades para estudo e emprego, o que contribui para a minha formação, proporcionando-me conhecimentos pessoais e profissionais. Após morar dois anos em Balneário Camboriú, e visitar Itajaí como turista durante aproximadamente dez anos, tomei a decisão de viver na cidade, pois para mim ela é a melhor da região em infraestrutura, belezas naturais e qualidade de vida.

Possuindo opções de lazer, comércios, hospitais, belas praias, segurança, universidades, bancos, a cidade oferece tudo o que uma pessoa necessita. A facilidade de não precisar ir a outros municípios para encontrar o que quer é um dos principais motivos que me fazem ser apaixonada por esta terra. Além disso, os Itajaienses são calmos, queridos e recepcionam os turistas muito bem, inclusive os que assim como eu, decidiram escolher aqui para viver.

Gosto tanto de Itajaí, que passo a semana toda na cidade e fico aguardando com ansiedade chegar o final de semana para pode aproveitar o melhor dela. Para mim este melhor é caminhar na beira-rio no final de tarde, aproveitar a praia da Atalaia e admirar as incríveis paisagens vistas do Morro da Cruz e do Parque da Atalaia. Como acordo em Itajaí, trabalho em Itajaí, estudo, falo, como, corro, namoro, durmo, saio, descanso, considero que Itajaí me faz desfrutar da vida e que aqui é o lugar que escolhi como lar.

Itajaiense de coração
Karine Nunes

karine

Foi com grande prazer que desenvolvi esses trabalhos, ter a oportunidade de conhecer melhor o município e as pessoas que aqui vivem foi uma ótima experiência. Por se tratar da cidade de Itajaí, para mim, em especial, foi ainda mais prazeroso. Sou natural de Brusque, atualmente, moro em Balneário Camboriú, mas apesar disso, quando me perguntam de onde eu sou, sem pensar respondo Itajaí. Foi aqui que passei toda a minha infância, estudei e estudo ainda hoje, fiz grandes amizades e também construí minha carreira profissional.

A cidade tem se desenvolvido a cada ano que passa, apesar das enchentes. O porto cresce a cada dia. Mesmo se desenvolvendo, eu tenho a sensação, todos os dias quando chego aqui, que a cidade continua aquela em que eu brincava de pega-pega, de queimada e esconde-esconde no meio da rua da casa dos meus avós. Posso morar em Balneário Camboriú o resto da vida, ou, quem sabe me mudar para outro lugar qualquer, mas, minha cidade do coração sempre será Itajaí.

Apesar de a minha impressão, eu sei, estar errada, de que a cidade continua pacata e pequena, foi desenvolvendo esses trabalhos no curso de Jornalismo da Univali, orientados pela Professora Laura Seligman, na disciplina de Projeto Multimídia, que tive a oportunidade de ver que são inúmeras as histórias vividas e contadas aqui. Pude perceber como essa terra é amada, e que assim como eu, existem mais pessoas que adotaram a cidade como sua. E espero que assim seja, cada dia mais e mais pessoas apaixonadas por Itajaí, mantendo e transformando para melhor nossa cidade.

Itajaí X Tijucas
Maycon C.

Maycon

Ao ser questionado como vejo a cidade de Itajaí, parei pra pensar sobre o que vi e vivi nessa cidade durante meus 25 anos. Cresci ouvindo falar desse lugar. Nasci em Tijucas, a cidade onde os pássaros levam os donos para passear. Tijucas e Itajaí, sabe-se lá porque, têm entre si uma ligação que eu também não sei explicar. Vivia ouvindo alguém falar que teria que ir a Itajaí com um ar de que teria que pegar um avião para ir a cidade – os 43 quilômetros não são tão longes assim. Quando criança, tive a oportunidade de vir visitar alguns parentes aqui, porém todo aquele sentimento de distância se concretizava, somando a ansiedade e a inexperiência de viagens, mesmo que curtas.

Depois que casei, mudei-me para Balneário Camboriú. Quando tive a oportunidade de vivenciar Itajaí diariamente, comecei a trabalhar em uma loja de roupas masculinas no centro da cidade. Pegar ônibus e vir a Itajaí diariamente tornou-se rotina, chegava à cidade por volta das 8h e saia às 22h. Minha relação com a cidade “peixeira” parecia se estreitar e prometia um tempo de intimidade por no mínimo uns três anos e meio, no mesmo dia que recebi a notícia de ter arrumado um novo trabalho e ainda iniciei meus estudos na Univali.

Em abril de 2012, a convite de um amigo, passei a integrar a equipe do Instituto de Pesquisa Sociais da Univali. Em campo com o instituto, pude conhecer cada canto dessa cidade, e o melhor, conversar e conviver com todos os tipos de pessoas que aqui vivem. A partir daí, comecei a entender a relação que Tijucas e Itajaí tinham uma com a outra.  Partes da beira-rio de ambas, a meu ver, são semelhantes: as pessoas, ruas, casas, o jeito de falar e viver da gente daqui é muito parecido com as pessoas de lá.

Depois de meses, pude perceber que na mais pura essência, Itajaí e Tijucas estão ligadas pelo sua hospitalidade, pelo jeito simples que a população escolheu viver e pela forma com que levam e mantém a vida.

Muito além da Praia Brava
Aline Hodecker

Foto Aline Hodecker

Acadêmica de jornalismo, Aline Hodecker, 20 anos. Estudo em Itajaí desde 2010. Pela falta do curso que escolhi na minha cidade, procurei a Univali. Depois de três anos de vai-e-volta de segunda a sexta, Itajaí se tornou sinônimo de trânsito congestionado, correria e olhares contínuos no relógio. Moradora de Brusque, venho todos os dias para a Univali de ônibus cedido pela prefeitura aos universitários. Saindo por volta das 18h, o trânsito frequentemente me impede de chegar à sala de aula às 19h. Já a volta, às 22h, é tranquila.

Itajaí se tornou minha segunda cidade. Toda noite (e algumas manhãs de sábado), ou de ônibus ou de carro vou para Universidade. O caminho inevitavelmente já virou costume. Trabalhos, provas e apresentações não se comparam ao estresse do trajeto diário Brusque-Itajaí. A Univali, localizada no bairro Fazenda, logo na entrada da cidade, faz com que eu não tenho noção dos bairros da região. Quando colegas de sala falam de ruas, lugares, perto de cá ou de acolá, fico perdida e chego até a me envergonhar da ignorância em quesito de localização na cidade. Para fazer as entrevistas com os itajaienses, saía com antecedência, ia atrás de informações antes de sair de casa e ainda assim, me servia de um GPS e pedidos de ajuda na rua.

A praia Brava, ao contrário da Univali, é um lugar que procuro sem pressões. Não tem hora pra chegar e a partida é o clima que decide. Amante do mar e da areia, a Brava vira meu destino em finais de semana de sol e calor. Itajaí me oferece as praias mais próximas de casa e de fácil acesso, acentuando meu gosto pelo município.

Até mais, Itajaí
Camila Aragão

camila a

Sou uma jovem paranaense de 24 anos, apaixonada por belezas naturais e culturas. Sempre gostei de desafios, conhecer lugares novos e pessoas novas. Há exatos dois anos e meio, me mudei para a cidade portuária com a minha mãe para cuidar da minha avó, que estava doente. Fazia faculdade de Jornalismo em Curitiba e transferi para Itajaí, com medo de como seria toda essa transição na minha vida. Já conhecia Balneário Camboriú desde pequena, pois minha família sempre escolhia o local para passar as férias. Mas, Itajaí, eu fui conhecer somente em 2007, quando minha tia começou a dar aulas no curso de Farmácia na Univali e eu vim, nas férias, ficar com ela. Mas, somente na minha mudança efetiva para a cidade que pude conhecê-la melhor.

Em um certo dezembro, dias antes do Natal, estava toda minha família reunida, e todos encantados com as belezas naturais da cidade. Mas, eu ainda não me sentia como moradora e sim como uma turista passando férias. Em fevereiro, com o inicio das aulas, comecei a ter o primeiro contato com os itajaienses e os achei receptivos e carinhosos. Vinham me perguntar: o porquê da mudança, se eu estava gostando da cidade, o que eu fazia em Curitiba, me chamando para ir ao bar, anotando facebook, celular e eu fiquei toda animada. Cheguei para a minha mãe em casa toda contente que no primeiro dia, tinha conhecido um pessoal “baita” legal. Minha mãe parou e me disse:

-Baita? Que isso menina, o povo é chato.

Aí, eu acalmei minha mãe e comecei a contar como o povo e o sotaque era engraçado. Disse para ela que eles falam: “Quer, quer, se não queres dix”, “Taix tola nega”, “Vai toda vida nega”.  E com o passar dos dias, eu fui conhecendo os pontos turísticos locais, e mais pessoas, as praias, a gastronomia que é uma delicia. E eu me apaixonei, adotei Itajaí e me senti como uma legitima itajaiense.

Infelizmente vou voltar para o Paraná, pois recebi uma proposta de emprego. Mas, gostaria de nesse pequeno e singelo texto, agradecer a essa cidade e ao seu povo por me receber e me acolher.

Para entender Itajaí
Fernanda de Freitas

fernanda

Não foi apenas mais um trabalho na Universidade, e sim uma oportunidade de entender um pouco mais sobre a cidade de Itajaí.  Hoje com quase 153 anos e aproximadamente 190 mil habitantes, é vista como um grande polo econômico do Estado, e conhecida também por suas belas praias e paisagens.

Desde o principio do trabalho, eu Fernanda de Freitas, 26, acadêmica de Jornalismo e principiante na vida, tentei buscar pautas em que meu contato maior fosse o grande público, ou seja, as pessoas comuns, rostos anônimos e desconhecidos, mas certamente personagens de suas histórias e de tantas histórias que fazem de Itajaí esta grande cidade.

Uma Itajaí desconhecida aos meus olhos, já que nos quatro anos em que moro aqui, não tinha proximidade e sequer dialogado com os personagens de minha escolha.

Uma grande experiência para entender como esta cidade funciona, pois desta vez, a visão não veio de fontes oficiais, não veio de jornais, não veio de livros. Partiu de gente da rua, gente que respira esta cidade e muitos deles assim como eu, encontraram em Itajaí um lugar para viver, para ser gente e principalmente para ser feliz.

Talvez as condições sociais de meus personagens não sejam a receita de felicidade para muitos. Mesmo assim, o pouco de sua vida que compartilharam comigo foi o suficiente para mostrar suas escolhas e suas formas de vida, sem nenhum pudor ou arrependimento.

Meu desafio principal e minha meta com este trabalho foi a de transformar a história destes ilustres desconhecidos, em histórias reais e pulsantes dentro desta sociedade em que vivem. E, independente de sua etnia ou condição social, que apareçam como importantes personagens nesta história.

Penso agora que para entender melhor Itajaí, é preciso mais do que saber a história que contam os livros, e sim, viver de fato esta cidade, com todas as suas peculiaridades que muitas vezes estão escondidas por ai, num rosto qualquer.

Peixeira com orgulho
Iara da Cunha

iara

Muito prazer, meu nome é Iara Roberta da Cunha, e sou Itajaiense. Posso dizer com orgulho que Itajaí é minha cidade. Conheço muito daqui, mesmo tendo apenas 21 anos de vida. E como diria um bom papa-siri “olha que Itajaí já tem cento e cinquenta e dox”. Quase trêx. Não porque trabalho aqui, não porque estudo aqui, e sim porque nasci e sempre vivi aqui. Posso não conhecer tudo e todos, mas reconheço. Com as sensações que a cidade me proporciona, é possível sentir cada detalhe.

No berço onde fui criada, a comunidade rural Volta de Cima, é onde mais me conheço. Sempre me pego imaginando que pareço estar em uma cena de filme ou novela, quando os filhos e netos se reúnem na casa da vovó, tomam café, as crianças correm pelo quintal subindo nas árvores e brincando com os bichos. E é exatamente esse tipo de cena que tenho o prazer de desfrutar todos os dias. Colher a fruta da árvore, andar descalça, tomar banho de chuva, pedalar até o infinito, ouvir o cantarolar dos pássaros de manhã e dos grilos e sapos à noite, sentir o cheiro de mato, sim ele existe mesmo… Conheço poucos lugares onde isso tudo ainda existe: os filmes mesmo, e o meu lugar.

Itajaí é uma cidade linda, cheia de vida, limpa, com paisagens e pessoas inexplicáveis. O sotaque peixerês inconfundível, as praias, as casas históricas, a Igreja Matriz e a Igrejinha Imaculada Conceição, o porto, os bairros mais antigos, os contos populares. Neste mês, começo uma nova etapa, um desafio difícil: mudar de cidade. Brusque não é longe daqui, mas já dá saudade. Novos lugares e pessoas pra conhecer, sem perder a essência de Itajaí. E claro, final de semana tem o tradicional cafezinho na casa da vó pra contar os causos da nova cidade.

Pasaitj
Paulo Alves

Paulo Alves

“O quê? Como assim? Tu és de Itajaí e não come peixe?”. Pois é, ouço isso sempre. Muitas pessoas estranham o fato de eu não gostar desse tipo de comida. Poxa, só porque eu nasci aqui e moro no mesmo bairro há mais de 20 anos, quer dizer que eu sou obrigado a gostar de peixe? Não é bem assim né?! Ou você também vai me condenar porque eu não gosto nenhum um pouco de quem fala “Peixeirês”? Não sei pra quê puxar o X no fim das frases. Calma, não é por isso que eu odeio a cidade. Amo morar aqui. Por mim, não sairia nunca.

Gosto que me chamem de Paulo Alves. Mas, na minha família, você só vai ouvir Paulo André, já que Paulo é o nome do meu pai. Não, não sou Júnior, ainda bem! Meu nome todo é Paulo André Staack Alves. Se juntarmos as iniciais, dá PASA, mais a abreviação de Itajaí, ITJ, temos Pasaitj. Pode parecer estranho, mas esse foi meu e-mail da sexta série ao terceirão. Acabou virando apelido, né? Hoje meus melhores amigos me chamam de Pasa, e sim, eu gosto muito disso.

Sou do tipo de pessoa que faz amigos facilmente. Até a sexta série, estudei no colégio Fayal, que fica atrás da minha casa. Sempre gostei muito de esportes, jogava de tudo, mas as paixões pelo handebol e futsal eram maiores. Com 12 anos, comecei a jogar handebol pela Fundação Municipal de Esportes. Na época, o colégio São José dava bolsa de estudos para os melhores jogadores, fui convidado para estudar lá. Por cinco anos, representei Itajaí em vários campeonatos de handebol Brasil afora. Conheci o país de Norte a Sul. Fui campeão Escolar, Estadual e Nacional. Joguei também pela seleção catarinense de handebol e fui convocado para a seletiva da seleção brasileira de base.

Sempre fui um bom aluno. Tenho orgulho de nunca ter ficado em recuperação. Tudo bem, isso pode não ser um grande feito. Mas se comparar com os meus amigos, foi sim, um grande feito. Era do tipo que prestava atenção na aula e não estudava muito em casa. Não posso dizer que nunca olhei para o lado em uma prova difícil. Mas geralmente, eram os meus amigos que olhavam pra minha prova.

Tive dúvidas entre Jornalismo e Educação Física. Com 17 anos de idade, podia chover canivete que eu estava na academia. Queria ser personal trainer.  Era um rato de academia. Tinha o corpo bem desenvolvido para a idade. Tinha, hoje não tenho mais. Por quê? Optei pelo Jornalismo. Pensei que atuando na área esportiva poderia continuar com meus hobbys atléticos. Ledo engano. Hoje com dois empregos, mal tenho tempo para a pelada no fim do dia. Não me arrependo, gosto muito do que faço. Fico triste em saber, que para alcançar meus sonhos profissionais, terei que sair de Itajaí. Enquanto eles estão um pouco distantes de se realizar, agradeço todo dia, por ter nascido nessa terra tão boa de: praias, festas e gente bonita.

O futuro de Itajaí é grande
Marina Dutra

marina

Nasci e cresci em Itajaí, há vinte e cinco anos. Durante todo esse tempo, mal saí daqui. Passei uma semana no norte do estado do Rio de janeiro, a trabalho; dois finais de semana em São Paulo; alguns sábados na cidade próxima, Blumenau, e umas semanas de férias na praia de Mariscal, durante a infância. De resto, todo o meu tempo eu passei aqui. Ainda assim, costumo ouvir que pareço de fora e meu sotaque não soa nativo. O jeito de falar pode parecer de outro lugar, mas a alma é muito itajaiense.

Nos anos 90, os filhos da elite itajaiense cresceram estudando em dois colégios, principalmente: o São José, regido por freiras; e o Colégio Salesiano, administrado por padres. Foi no Salesiano que estudei até a oitava série do Ensino Fundamental. Sempre ganhei bolsa de estudo e, mesmo assim, vi meus pais fazerem verdadeiro malabarismo financeiro para pagar os 50% restantes da mensalidade. Tudo para que eu tivesse uma boa educação, o que tive, de fato. No mais, cresci em um meio que não era o meu, entre pessoas que não eram da minha classe social, e vi uma geração itajaiense se formar com valores diferentes dos que me foram ensinados em casa. Eram crianças e jovens que zombavam de quem puxava o xis ao fim de uma palavra, que excluíam quem morava nos bairros mais afastados e tiravam sarro quando um “Silva” aparecia na chamada.

Aos 14 anos, resolvi sair daquele mundo e ir para um em que me sentisse mais à vontade, longe dos adolescentes que julgava fúteis e demasiadamente preocupados com seus sobrenomes e marcas de tênis. Coloquei um piercing no queixo, pintei o cabelo e me matriculei no extinto Colégio e Curso Radical, num impulso de jovem rebelde, teoricamente sem causa. Conheci outro mundo, muito mais livre, desregrado e divertido. Lá havia gente de todos os cantos de Itajaí, o sotaque peixeiro dominava, e os ‘Silvas’ também. Aprendi a quebrar as regras que havia me condicionado a seguir à risca com os Salesianos, e passei a me sentir muito mais do que antes, em vários sentidos.

Aos 18 anos, em 2006, comecei a estagiar no serviço público na cidade. Passei três meses atrás do balcão da 4ª Delegacia Regional de Polícia, no setor de Carteira Nacional de Habilitação. Aí, então, foi que comecei a lidar com todo o tipo de itajaiense, do mais rico ao mais pobre. Atendi gente muito simples, lá da zona rural da cidade, que se desesperou porque precisava da carteira para ir de motoneta até o trabalho, já que lá no bairro da Paciência os ônibus eram raros. Atendi empresários ricos, donos de dezenas de carros e caminhões.

Fui transferida para a Fundação Cultural de Itajaí, onde passei os dois melhores anos da minha vida. Trabalhei em projetos sociais como o Arte nos Bairros e o Núcleo Itajaiense de Dança Alícia Alonso, que ensinava Ballet Cubano às crianças carentes da cidade. Andei quilômetros em estrada de chão em uma Kombi com buracos no chão, no teto e nos bancos, com a porta solta e o velocímetro quebrado. Tudo pra levar material de pintura e fazer fotos que mostrassem a população aprendendo a pintar e a fazer arte nos bairros mais afastados e pobres da cidade. Vi gente que, aos 40 anos, nunca tinha pegado num pincel e mal sabia usar um lápis. Mas também vi gente que me recebeu de braços abertos quando a Kombi parou no meio da estrada, e que não me deixou ir embora sem comer um pastel fritinho na hora e um pão com linguiça feita em casa.

Ainda na Fundação Cultural, vi o outro lado de Itajaí, o mais glamouroso e divertido. Participei da organização de duas edições do Festival de Música de Itajaí, famoso até mesmo fora do país e referência entre músicos e estudantes brasileiros. Estive nos bastidores de shows de artistas consagrados; defini os assentos das autoridades e grandes empresários daqui nas poltronas do Festival Internacional de Teatro; cadastrei e interagi com todas as atrações da Marejada, a festa típica portuguesa e do pescado da cidade. Tive contato direto com todos os figurões e com a mídia regional; ofereci um prato de arroz e feijão com bife e farofa para a Elke Maravilha. Foram dois anos maravilhosos, em que eu pensei ter visto muito de perto a realidade itajaiense, da elite à estrada de chão. Nessa época, também fiz campanha política e vi de perto a briga pelas cadeiras almofadadas no paço municipal. Uma disputa nada amena.

Foi aí que o governo mudou, meu contrato acabou, e eu iniciei meu estágio de um ano e meio no Instituto de Pesquisas Sociais da Univali, o IPS. Aí sim, eu entendi Itajaí. Fui a todos os bairros, bati palma em portão de mansão e em cerca de barraco. Entrei, sentei nos sofás e mapeei as condições socioeconômicas de centenas de famílias. Também implorei por atenção de transeuntes para perguntar suas intenções de voto, e entendi como funciona a política na cabeça de boa parte da população daqui. Vi a clara divisão entre os vermelhos e amarelos, tão forte na cidade. Ouvi relato de gente que votou em troca de favores, que elegeu vereador que nunca pisou no bairro depois da posse. Conheci histórias e reclamações sobre cada região do município.

Passei, ainda, um ano e meio na Comunicação do Porto de Itajaí, maior destaque na economia itajaiense e, hoje, trabalho no Serviço de Água e Saneamento da cidade. Nesses dois lugares, trabalhei com clipagem e li, por dia, pelo menos cinco jornais com notícias locais. Nos últimos quatro anos, tenho estudado Jornalismo na Univali, outra instituição de referência, responsável por trazer para a cidade um grande número de estudantes de fora, que completam a realidade tão diversificada dessa terra. Analisando esses vinte e cinco anos de trajetória, posso afirmar que Itajaí é o meu mundo. Aqui eu aprendi praticamente tudo. Nasci, cresci bem aqui, morando a duas quadras do Itajaí-Açú; tomando banho de mar em Cabeçudas; bebendo vinho escondida, aos quinze, na praça da Igrejinha da Imaculada Conceição; ouvindo chorinho e contando moeda pra comer bolinho de camarão no Mercado Público.

Não sei o que seria de mim sem Itajaí, não sei se me adaptaria a outra cidade em que não houvesse a brisa do mar e o vento frio, que vem do rio e gela o rosto nos dias de inverno. Sei que tenho paixão pela cidade, apesar dos muitos problemas e defeitos que ela tem. Que não pretendo sair daqui a não ser que as oportunidades lá fora sejam muito boas. Há quem me julgue comodista ou mesmo covarde; que diga que tenho medo de ousar, que preciso criar asas e ir longe, buscar o futuro. Mas eu vejo, claramente, que o futuro de Itajaí é grande. E que eu posso sim, ser feliz sem ir pra nenhum outro lugar. Aqui, eu tenho quase tudo que considero necessário em um lugar pra se viver: cultura rica, beleza natural, economia emergente, amor e lembranças suficientes para me prenderem. E, se eu me entediar, é só seguir pela Osvaldo Reis e brincar no playground que tem ali ao lado.

Sou fruto desta terra
Karine Mendonça

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O sotaque não permite o engano, uma vez que sou incapaz de pronunciar a palavra “bonitinho” sem deixar de acentuar o som dos ii.

Cresci perambulando pelas ruas do bairro São João. Meus pés descalços já pisaram terrenos baldios em busca de tesouros perdidos. Certa vez, meu melhor amigo de infância e eu encontramos uma latinha com pó branco. Isso foi durante a quarta-série. Estávamos tão envolvidos com os ensinos do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) que, logo da descoberta, tratamos de chamar a polícia. Em nossa inocente imaginação, acreditávamos que este tesouro seria uma contribuição memorável no combate ao tráfico.

O mais próximo que cheguei das drogas foram nas noites da tradicional festa junina do bairro, quando nem mesmo a minha japona azul marinho com detalhes em roxo era capaz de proteger-me completamente do intenso frio. Levava meus dedinhos à boca, como quem segura algo, aspirava o ar gelado com os olhos fechados e soltava, esvaziando o peito. Aquela nuvem branca era, verdadeiramente, a maior viagem.

Já bati de casa em casa pedindo doações para a campanha de agasalho da escola. Uma vez, ganhei um colchão e tive que carregá-lo por muitas ruas. O fiz feliz da vida. Também, lá com meus 10 anos, participei da campanha eleitoral para vereador do pai do meu vizinho. Entregava santinhos e fazia pesquisa de intenção de votos. Foi nessa época que resolvi cortar os fios da minha sobrancelha com uma tesoura. Para esconder as falhas, amarrava um lenço na cabeça. Consegui esconder a façanha de minha mãe por dois dias.

Uma história puxa a outra. São tantas memórias deste rio que corre sobre pedras que a seleção se torna uma tarefa penosa. Hoje, aos 22 anos, morando sempre na mesma casa da rua José Cândido, bem sei como será difícil o dia em que tiver deixar essa linda cidade para trás e seguir novos caminhos.

À Itajaí, todo o meu carinho.

Do Drive Thru à Univali, nego
Lucas Coppi

foto

Itajaí nunca foi minha cidade dos sonhos. Quando pequeno, sabia que vir de Camboriú até essa cidade (que parecia longe pelo tempo que ficava no carro) significaria ir ao médico. Ao menos, significaria também ir ao McDonalds na saída. Lá, tinha gente que nem saía do carro e ganhava um Big Mac prontinho. Quanta tecnologia, coisa de cidade grande!

Mas eu cresci um pouco e Itajaí para mim se transformou na cidade do Marcílio Dias. Ir ao Gigantão das Avenidas me ensinou a tradução de várias expressões peixeiras. Foi ali que eu aprendi que “uma uva” era um jogador muito ruim e que quando o time perdia, o comportamento a ser seguido era clássico: xingar até a quinta geração do treinador e em seguida proferir um belo “Uxx, tax doido!”

Mais tarde, Itajaí se tornou a cidade da Univali e, enfim, comecei a me situar melhor por aqui. Até hoje não sou um exímio conhecedor das ruas do município, mas creio que já não me perderia se fosse solto sozinho em algum lugar daqui. Até porque o GPS não me deixaria tão sozinho assim.

Enfim, Itajaí sempre me foi uma cidade útil. Nunca tivemos uma relação muito próxima. Não morro de amores pela cidade, e ela também não gosta muito de mim. Não sei, cheguei a essa conclusão depois de que as estradas de Itajaí me deixaram na mão. Já bati o carro duas vezes por aqui, e juro que a culpa sempre foi das estradas. Na verdade, são tantos anos frequentando as ruas traíras que, hoje, posso até dizer que “goxto” um pouquinho daqui. Não muito né, “max” dá pro “gaxto”.

Itajaí e seus retratos
Bruna Froehner

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César da Hora, Célia Pedro, Carlos Cória. Foram os três personagens que escolhi para retratar. Três itajaienses, por naturalidade ou por coração. Três artistas, com almas, com algo em comum, a paixão pela arte. Além dessas histórias, conheci um pouco a respeito da Praça Vidal Ramos, através dos rostos que por lá andam e dos depoimentos de seus visitantes, pessoas que vão apenas para admirar, apenas para descansar, apenas para viver.

É difícil receber uma missão para tirar o melhor ou o pior daquela pessoa, daquele lugar.  Expor isso em linhas, em perfil. Não é fácil expressar a essência nas palavras. Mas essas foram as minhas impressões, o que escrevi de cada, foi o que consegui extrair. Talvez ainda me falte sensibilidade para ir além, mas o importante é que hoje meu olhar sobre Itajaí é diferente.

Conheci através das entrevistas, César da Hora, pude constatar que ele era alguém que vivia conforme sua natureza lhe pedia, conforme as circunstâncias da vida o levaram e o construíram. Pude saber mais a respeito de Célia Pedro, figura popular na cidade de Itajaí e artista com personalidade forte, capaz de fazer você amar o fado apenas em alguns minutos. E Carlos Cória, mais um perfil de alguém que não vive sem a arte e que de alguma forma transforma o mundo para melhor. Porque não há ambiente em que a música não transforme, nem vida que uma boa canção não inspire.

Não sou de Itajaí, mas posso sim afirmar que através das entrevistas, me aproximei mais da cidade e me emocionei com os depoimentos. Pude perceber que Itajaí tem algo de intelectual, cultural. Passei a ter mais orgulho da cidade que “tem cheiro de peixe”. Compreendi que os 153 anos de história, a fazem evolúida. E que seus personagens não a amam à toa. Sim, tem problemas, coisas a consertar, mas soube acolher muito bem os três artistas retratados em meu trabalho.

Itajaí, cidade onde em cada canto é possível encontrar um poeta, uma cantora, um músico, um artista plástico, um pescador e tantos outros personagens que ajudam a transformá-la em uma cidade linda.

Me chamo Daira Gomes
Daira Gomes

 daira

   Tenho 21 anos, sou acadêmica do curso de Jornalismo da Univali e moradora da cidade de Penha. Nasci em Itajaí, mas conheço pouco da cidade. Em 2011, trabalhei na TVBE e morei com meu irmão por seis meses. Nesse tempo, pude conhecer um pouco do bairro São Vicente e andar de ônibus que por sinal estavam sempre cheios.

Mesmo morando em Penha, preciso sempre passar em Itajaí para marcar exames, me consultar, acompanhar meus pais em seus exames e consultas também, e quando dá tempo aproveito para passar no shopping e comércio no centro. De segunda a sexta, no período noturno, frequento a faculdade, assim passo mais tempo na região.

Ao fazer um trabalho sobre as praias de Itajaí, pude conhecer mais das belezas que tem na cidade. A que mais me chama atenção e acredito de muitas pessoas por ser muito frequentada, é a Praia Brava. Acredito que é a praia onde os moradores passam o verão com os familiares e amigos. Por ser a praia dos surfistas, sempre está bem movimentada.

Um lugar que acho lindo e emocionante é o Morro da Cruz. Lá de cima, é possível ver toda a cidade iluminada e foi onde optei para fazer a festa do meu casamento. São vários lugares em Penha para se casar, mas o lugar é de se chamar atenção, pois é bonito demais.

Direto do interior
Maria Cecília Largura

maria

Eu vim de Indaial, uma cidade com pouco mais de 50 mil habitantes. Cidade do interior, bairros tranquilos, onde todo mundo se conhece. Vim morar em Balneário Camboriú para poder estudar na Univali de Itajaí. Minha família ficou apreensiva, como é que uma menina mimada, que sempre teve a mãe fazendo de tudo por ela iria se virar sozinha em uma cidade tão maior que a sua? Confesso que tive medo, mas eu precisava estudar. E então, desde 2010 eu venho me virando sozinha, e sempre pude contar com Itajaí, que nunca me decepcionou.

No começo, quando conhecia apenas a Univali, ela era meu ponto de referência para tudo. Se precisasse ir, por exemplo, para a Prefeitura, colocava no google maps como ir da Univali até a Prefeitura. O caminho com certeza era sempre maior porque era feito caminhando. O medo era meu eterno companheiro, todo mundo sempre falou para eu tomar cuidado. “Não anda sozinha à noite, não fica mexendo no celular na rua…” e eu ficava imaginando se não seria assaltada ou qualquer coisa do gênero no primeiro passo que desse fora do ônibus aqui em Itajaí. Tenho certeza de que meu anjo da guarda é forte, nunca me aconteceu nada.

Em março de 2011, comecei a passar, além das noites, também as tardes em Itajaí. Meu estágio me fez conhecer melhor a cidade. Agora já consigo me localizar e chegar a diversos lugares sem precisar do google. Meu medo ainda me acompanha, quando saio do trabalho posso pegar um caminho curto para chegar à faculdade, mas, prefiro um mais longo e bem mais iluminado. Como em qualquer cidade desse porte, não se pode dar mole quando a noite chega.

Itajaí não é uma cidade em que eu moraria. Não é uma cidade prática. Mercado longe, farmácia longe… Pelo menos nos pontos que conheço. Mas, quando vejo as notícias de assalto ou de violência na cidade, fico me perguntando se estão falando da mesma cidade em que eu estudo e trabalho. Passar boa parte dos meus dias aqui me fez ver a cidade de um jeito completamente diferente. Acho que depois desse tempo em que estou aqui, já posso até me considerar um pouco peixeira, nego!

Quem mora em Itajaí pode aproveitar para caminhar na beira-rio, onde as pessoas podem ter um tempo em família nos restaurantes e em uma das praças da cidade. Posso falar isso, porque tenho frequentado bastante esse lugar e sei que muitas pessoas admiram o local, assim como eu.

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